Lingerie Sexy não enfrenta crise

Um segmento muito específico da moda íntima vem crescendo a olhos vistos e já ganha o mercado internacional: o segmento de Lingerie Sexy. Durante a Fevest, que aconteceu de 07 a 10 de julho em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, quatro empresas, dentre as mais de cem que estavam expondo, estavam representando este segmento e mostraram um ânimo acima da média. “Não tivemos crise, não parei de vender nem de exportar. As pessoas não deixam de ter suas fantasias mesmo durante as crises” brinca e fala sério o empresário José Carlos Bastos, sócio da Via Tentação. Fundada há 19 anos, a empresa friburguense iniciou nesse segmento aproveitando tecidos que sobravam na hora do corte. “Começamos reaproveitando os tecidos com fantasias simples e vimos a grande aceitação. Aos poucos fomos aumentando essa área na empresa. É um segmento que cresce em função da liberação da mulher e do homem brasileiro” explica Bastos.

A Via Tentação produz hoje 30 mil peças/mês e emprega 20 funcionárias além de terceirizar parte da produção. A empresa já foi para a feira Mode City, França, por intermédio do Texbrasil, programa de exportação desenvolvido entre ABIT e Apex-Brasil, e hoje está exportando para França, Portugal, Angola, Bélgica e EUA. “Minhas margens, apesar do dólar e dos custos, me permitem brigar e vencer concorrentes internacionais”.

O segmento de Lingerie Sexy se divide em duas áreas: fetiche e fantasia. Algumas empresas focam mais em uma ou outra área, mas não deixam de apresentar as duas. O segmento tem dois momentos que vende muito que é o Dia dos Namorados e as Festas de Final de Ano. Contudo, durante todo o ano as vendas são estáveis, segundo Bastos, que vende 30% de suas fantasias pela internet, visto que os tamanhos são únicos. Já a empresa Rota Sex 69, também de Friburgo, tem foco maior na área de fetiche realizando inclusive pesquisas para desenvolver cada nova coleção de espartilhos, cinta ligas, meias e acessórios. “A coleção que estamos vendendo aqui foi inspirada no tema Cabaré e, para tanto, viajei à França e mergulhei neste universo. Esse segmento cresceu muito e hoje são raras as lojas de lingerie que não têm produtos de Lingerie Sexy” explica Priscila Tolledo, sócia da marca. Já pela complexidade de cada peça, Priscila diz que produz somente umas 4 mil peças por mês, numa confecção com 15 funcionários. “Ainda não exporto, mas tenho vontade de começar, ou de pelo menos entender como é que funciona”.

Apoiadas pelo SENAI Moda na área de novos empreendedores, a Milli Sedução participou pela primeira vez da Fevest. A microempresa foi criada há seis anos, mas somente há um ano a empresa conseguiu se legalizar. “Nós tínhamos medo dos impostos, mas, depois que conseguimos abrir nossa própria loja, a primeira coisa que fizemos foi regularizar a empresa e hoje estamos aqui na Fevest. O segmento está crescendo e estamos animadas” declarou Claudia Sangy, que é sócia e cuida da parte de criação das fantasias e lingeries fetiches. Segundo Claudia, elas começaram a oferecer tamanhos G e GG, pois é grande o número de gordinhas que buscam também as fantasias. As irmãs Claudia e Maria Augusta Sangy se tornaram sócias ao saírem de uma empresa de Lingerie Sexy onde eram costureiras. “Eu cuido da administração e também piloto a máquina de costura. Somos quatro funcionárias e mais a nossa prima Jamaica Schumacker que fica na loja. Aos poucos estamos crescendo” disse Maria Augusta. A prima vendedora traz a pesquisa com as consumidoras para as sócias que estão sempre atentas ao gosto dos clientes. “ Além das gordinhas, tem aumentado o número de homens que vão à loja buscando fantasias para suas namoradas ou esposas. Nunca pode falta fantasia de enfermeira e colegial, pois são as que mais vendem” relata Jamaica.

Segundo os expositores, o segmento de Lingerie Sexy cresce, mas ainda não é possível ser mensurado. São poucas as empresas produtoras, comparativamente às que fazem lingerie normal. Só no Pólo de Friburgo são menos de 10 empresas desse segmento dentre 900 que produzem moda íntima, produção que abastece 25% do mercado nacional.



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